Pode crer que é assim

terça-feira, 17 de março de 2015

Quando mergulhei no mar profundo


Deus, o Salvador, profundo e fascinante como o mar
Mergulhar nas profundezas de Deus
Esses dias, no meio de uma conversa em rede social, me deparei com uma frase: “fulano precisa conhecer Cristo, basta entrar na igreja certa”. Deixei passar batido na primeira vez, e talvez na segunda também, mas na terceira já me questionei. Será que pra conhecer Cristo qualquer pessoa só precisa entrar na igreja certa? Será que todos realmente passam pela mesma experiência de encontro com Deus dentro de uma igreja? Cristo, o verdadeiro Cristo, está somente nas igrejas? Para conhecê-lo de fato, preciso realmente ir a um culto e ouvir uma mensagem? Onde seu amor, sua graça e sua plenitude entram nisso?
Não, não estou dizendo para você não cultuar a Deus, não ir à igreja nem nada. Não é isso que está em questão. A nossa geração, o nosso século, está repleto de pessoas que conhecem um cristianismo superficial, uma conversa superficial com o Pai, um amor superficial. Será que não é por isso que muitas pessoas rejeitam Cristo? Que muitas pessoas não conseguem ver o amor, a filosofia e a paz qual a vida com Ele nos dá? Será que muitos atualmente não querem nem saber de Deus porque nós mesmos não o conhecemos como deveríamos e pregamos algo que não soa tão incrível quanto o que realmente é?
Vou falar de mim agora. Eu nasci em berço cristão, e ainda assim, pude conhecer o que o mundo lá fora me proporcionava. Veja bem, eu nasci em berço cristão, mas isso não significa que eu me converti cedo, que eu segui a Jesus desde criancinha. Os planos de Deus foram belos demais e creio que foi tudo no tempo Dele. Eu conheci o mundo lá fora, vivenciei coisas que certamente não esquecerei e que são pontos a mais para me fazer ficar onde estou. E não pense que eu já conhecia Cristo desde criança e que eu sempre tive encontros com Ele. Bom, não foi bem assim.
Eu vim a conhecer Cristo em meus plenos 16 anos recém completados, depois de viver as consequências dos meus atos rebeldes de adolescente – por favor, quem não fez bobagens quando era adolescente e se arrependeu amargamente depois? E por incrível que pareça, não foi dentro da igreja. Na igreja eu ouvia sim falar de um Cristo, o Cristo que salvava, o Cristo que amava, o Cristo que tirava as dores, mas eu não o conhecia de fato, não o sentia. Era como se eu escrevesse um poema sem ter a poesia.
Na verdade, eu o conheci em uma madrugada, onde todas as minhas dores e as minhas culpas estavam ecoando na minha mente, como se alguém estivesse me julgando por tudo, e esse alguém era eu mesma. Uma madrugada onde eu não conseguia me perdoar e via que todos estavam magoados comigo, até mesmo os que mais me amavam. E então, sentada na cama e aos prantos, eu conversei com Jesus. Eu perguntei a Ele por que aquilo tudo estava acontecendo e por que meu coração não sabia se aquietar, meus olhos não sabiam parar de deixar as lágrimas saírem e eu não sabia sentir paz. E aí veio o conforto.
A misericórdia de Deus, a serenidade do Pai, o perdão, o amor. Ali entendi que Cristo não queria que eu fosse perfeita, que Ele não estava me obrigando a mudar, que ele não estava me julgando mal, ele só estava me abraçando e me deixando chorar, como todo melhor amigo e pessoa que te ama faz. E foi ali, naquele momento, que entendi a profundidade de Deus. Ele era como um mar. Azul, tranquilo, sereno. Você não precisaria de oxigênio algum para ficar lá por horas e horas. Eu não sei por quanto tempo fiquei ali, em transe, sentindo Cristo e sentindo seu amor, sua paz, seu perdão.
Todas as peças as quais eu sempre ouvia na vida se encaixavam perfeitamente e deixaram de ser mais uma bagunça. E então, entrou em questão a crucificação. E foi ai que eu me deparei com o amor imenso que Deus tinha por mim. Ele, Criador de tudo, Pai de todos, o Dono, meu Criador, que me moldou e me deu a vida, me amava mesmo com tudo o que eu tinha feito e continuaria me amando mesmo se eu errasse mais uma vez. E foi por esse amor tão grande que Ele se fez carne e veio como Cristo, o Filho, o Salvador. Ele tomou todos os nossos erros nas costas sem ter culpa de nada, e para que não sofrêssemos com a lei, Ele se entregou, como sacrifício vivo, para nos libertar e iniciar uma nova era de misericórdia.
Aí você me pergunta: mas se Cristo não quer que você mude, então por que depois de convertida, você mudou? E eu respondo: eu mudei por amor, pelo mesmo amor que Ele teve ao se sacrificar por mim, eu me sacrifico todos os dias por Ele. Não mudei porque Ele apontou o dedo pra mim e me mandou mudar, eu mudei porque deixei o amor que Ele tem por mim me inundar e me querer fazer mudar. Depois que você entra na graça e na plenitude profunda do Pai, você não quer mais sair dela e não quer mais errar, tropeçar.
E, depois de muito pensar, percebi que era essa a profundidade de Cristo que está faltando ser pregada, ser gritada aos quatro ventos. É esse o amor pleno, puro e perfeito que precisamos dizer aos outros. É essa informação tão importante que estamos deixando de dizer, e é essa informação que torna tudo crucial: Cristo nos ama como somos, Cristo nos convida a sentir o amor pleno dele. Cristo, comparado ao mar, quando olhamos de fora é algo imenso, azul, porém soa simples, sem nada para oferecer. Mas quando adentramos, percebemos que existem coisas maravilhosas lá dentro, coisas que não temos aqui fora.
Cristo não te manda mudar por ele, Cristo não te manda ser diferente, Cristo só te ama como você é e te abraça, te perdoa quando você erra. Nós mudamos por amor a ele e não porque somos obrigados. O mar de Deus é profundo e belo demais para ser estragado com podridão e coisas tóxicas.

Pra finalizar, digo que Deus se revela a cada um de nós em momentos específicos e diferentes. Uns na igreja, outros em casa, outros na rua. Isso varia, isso depende. Mas Deus se revela. E quando Ele se revela, pode ter certeza, você vai entrar em um mar profundo e calmo e não vai mais querer sair de lá.

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